Penso que
poderia ser de noite, mas não é. Penso que poderia ter bebido, mas não bebi,
não fiz nada para alterar o momento. Hoje não quero nenhuma percepção alterada.
Minha inspiração vem do momento importante que vivo, e das palavras do Caio que
leio ao som de Billie Holiday. Apenas fechei um ciclo. Para outro começar e
começar livre e começar leve e impor sua presença de vez e encantar minhas
pupilas desgastadas, mas renovadas e encorajadas por este novo.
Bem assim,
pensei como no conto “Além do Ponto” em tudo
que eu andava fazendo e sendo e eu não queria que ele visse nem soubesse, mas
depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da
chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era...
chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama,
chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito
grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorrir mais sozinho e
inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se
faz?
O que posso
dizer além de que o Caio caiu como uma luva? como uma chuva com vento que
rebosteia de pó a vidraça para que depois a limpemos até a próxima tempestade.
Assim, ó, porque os morangos já haviam mofado há tanto. E a colheita precisava
de outros cuidados outras culturas.
O definitivo
fechamento de um ciclo. E me atrevo, agora que assisto de fora o que esteve
dentro. Dentro onde estive por anos sem saber a saída. E assistir também é
doloroso, pois enxergo o que me cegava e é triste. Mas a hora é de plantar e
viver outro começo e saborear as frutas da estação, nem verdes nem maduras demais, suculentas, no ponto.
Então fecho
e deixo que o mofo encontre de vez o seu lugar no passado.