Psiu, vou te falar uma coisa.
Fala mais alto.
Não, prefiro assim sussurrado mesmo. Combina com a noite.
O que foi? (sussurrando também)
Eu tenho um segredo pra te dar.
Um segredo? Fala logo.
Calma, preciso explicar. Antes de mais nada, quero fixar meu olhar no teu. Gosto de entender teus olhos. Consegues?
Claro.
Então, é o seguinte: este segredo é daqueles solitários. Um segredo tão secreto... segredo pra ser guardado escondido. Ou melhor, bem escondidinho – inho. Tão escondido que provavelmente amanhã – se te lembrares – acharás que foi só um sonho. (E abrirás um sorriso, pensou.)
Conta logo o que é...
Não, eu não tenho um segredo pra te contar, é pra te dar. Presta atenção no que digo.
Tá bom, eu quero esse segredo. É lógico que quero.
Não, eu ainda não fiz a pergunta. Antes, tu precisas compreender algumas de minhas razões e condições sobre este segredo.
Estou ouvindo...
Precisas sabê-lo fugaz, inesperado e doce. E precisas prometer que te apropriarás dele tão profundamente a ponto de alcançar aquele inho, bem inho de que te falei há pouco. Concordas?
Bom, com tanta cláusula já não tenho certeza, quase tenho medo. Medo de já tê-lo, lê-lo, sê-lo.
Olhou pro lado...
Tu decides, já sabes das condições. Não posso entregá-lo a ti de outra maneira.
Esta é tua única chance. E não tenhas medo do “não”. Jamais o tomaria como humilhação. Posso ouvir o “sim” ou o “não”, desde que seja sincero.
Tá pronto?
Tô.
Eu tenho um segredo pra te dar.
Aceitas?
(.........................................)
Fecha os olhos e abre a mente.
.
Eutuatumeutueueutudoisumeutodatuatutodomeutueuteu
.
Pela manhã acorda sorrindo.
Nossa, que sonho doido. Não consigo lembrar direito, mas acho que foi...
fugaz, inesperado, doce;
daqueles que sempre desejei pra noite inteira...
inho?
.