31 de outubro de 2009

Tempestade


aceita a existência da tempestade. mas visualiza de cima. acompanha o mau tempo do alto dos teus medos. imagina que tudo tem seu tempo. que tudo passa. a tempestade também passa. aguarda. olha lá. acompanha além. e, enquanto isso, não deixa de contemplar a beleza das estrelas que te acompanham silenciosas

9 de outubro de 2009

Pende o tempo


Quanto tempo temos? Não faço ideia, mas posso ouvir os ponteiros acelerando. Eles correm do mesmo jeito que corro pra ti todas as noites. As noites também correm; as semanas também. Já não consigo mais contar as lacunas. Não sei explicar, ou será que apenas fujo de buscar compreender (como o tempo tenta fugir preciso de mim e de ti)? Mas o quê? Será só defesa? Loucura, timidez, medo da compreensão? Qual?

Ah, o tempo que nos consome incansável... símbolo do aprendizado, senhor da sabedoria e também de desencontros, desalentos, lentos. Costumamos acreditar no tempo, confiar a ele o dever e a responsabilidade de consertar nossos erros e anseios. Eu também confio. Mas ele é arbitrário. E também depende de nós. Daquilo que estamos dispostos a entregar aos seus cuidados.

Nosso mundo é feito da mesma terra. A mesma que pisamos, cambaleando, buscando firmeza. Do barro. O teu tempo é igual ao meu porque assim queremos, mesmo que não saibamos o futuro. Mergulhados no vácuo das horas que nos cercam. Pendendo sobre a ponte por onde passam nossos pensamentos, dos mais compreensíveis aos mais complexos e confusos. E as lágrimas que molham nosso chão interior logo se rendem, pendem e secam ao sol. Pendentes, nossos ponteiros estão em sincronia. Sempre vou te acompanhar. Quanto tempo temos?

6 de outubro de 2009

Astral Weeks

No momento não consigo parar de ouvir Van Morrison. Pego a estrada cedo e deixo o Astral Weeks rolar ao gosto do vento. Faço minha viagem no clima relax total. Quando viajo ouvindo a voz indescritível desse irlandês, sinto-me leve. 

   
The Way Young Lovers Do
.
We strolled through fields all wet with rain
And back along the lane again 
There in the sunshine 
In the sweet summertime
The way that young lovers do 
.
I kissed you on the lips once more 
And we said goodbye just adoring the nighttime 
Yeah, thats the right time 
To feel the way that young lovers do
 .
Then we sat on our own star and dreamed of the way that we were 
And the way that we were meant to be 
Then we sat on our own star and dreamed of the way that I was for you 
And you were for me 
And then we danced the night away 
And turned to each other, say, i love you, I love you 
The way that young lovers do 
Do, do, do, do...
.
Then we sat on our star and dreamed of the way that we were and the way
 That we wanted to be 
Then we sat on our own star and dreamed of the way that I was for you 
And you were for me
 I went on to dance the night away 
And turned to each other, say, i love you, baby, I love you 
The way that young lovers do, lovers do, lovers do
Do, do, do, do...


 

21 de setembro de 2009

Eu não sou ninguém de ir

Canto de Ossanha

O homem que diz "dou" não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é
Porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá
Porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo sinhô, Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte pro seu Orixá
Amor só é bom se doer
Pergunte pro seu Orixá
Amor só é bom se doer
Vai, vai, vai, vai amar
Vai, vai, vai, vai sofrer
Vai, vai, vai, vai chorar
Vai, vai, vai, vai dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

3 de setembro de 2009

um lendo o outro

um lendo o outro com olhos de mar
um vendo o outro com olhos de chuva
um sentindo o outro com olhos de vento
um sorrindo o outro com olhos de verão
um bebendo o outro com olhos de fogo
um respirando o outro com olhos de mundo

"um lendo o outro"

um sabendo o outro com olhos de minúcia
no silêncio precioso de ler e ser lido

17 de junho de 2009

O moço

o moço tem pensado demais
a vida e suas dúvidas
tantas escolhas

"tempo longo de felicidade
dor igualmente longa
escolhe a dor menor
felicidade se apequena"

então,
o que vai ser
do teu dia, do teu rumo?

o que vai ser
da tua existência, da tua ausência?
da falta de alguém que inunde o teu mundo?

ao sair da cama morna
percorrendo o corredor vazio
tonto de uma náusea não dormida
o olhar se ilumina

é uma lembrança que vem
vem chegando
vem mansinho
atropelando
o moço sorri

naquela manhã fria
por sorte ou acaso
lembrou-se do sonho
interrompido pelo despertador

lembrou-se da moça
de beleza simples
que lhe fez a mais doce companhia

"o beijo, o desejo, o riso, o rio"

animou-se
achou que as escolhas
nem sempre eram justas
nem fáceis
mas que importância isso poderia ter
depois de ter aprendido a amar?

então,
o que vai ser de ti?
a moça te espera
com vestido em flores
e com os mistérios de cada noite

"hoje a tristeza não me pega
a moça transbordou em mim"

22 de abril de 2009

Um resumo

não era para ser assim
mas chegou em minhas mãos um resumo
sem nexo, sem padrão, sem perdão

repleto de rasuras
incompleto, sem cor
fácil de guardar no silêncio do indizível

só resta passar a limpo
esse resumo sem razão de ser
e torcer para que ninguém reclame
porque já joguei fora os originais
e simplesmente não há explicações

16 de abril de 2009

Meu tempo é quando

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes

14 de abril de 2009

Vanguart ou meu mais novo vacilo

Segue abaixo uma das letras (dentre tantas que adoro) de uma banda de Cuiabá que já conhecia há algum tempo até, mas só passei a dar a merecida atenção após assistir ao dvd dos caras. E, lógico, me apaixonei. Trata-se de Vanguart: meu mais novo vacilo!


Antes que eu me esqueça

Antes que eu me esqueça da minha cabeça
Escreve teu nome nesse papel
Já faz algum tempo que não somos amigos
E eu quero esquecê-la
Renovar meu abrigo
Mas o tempo é piada
Enquanto eu sou quase nada
E eu só penso em tê-la
Em mim
Antes que eu me esqueça da minha cabeça
E o que resta é tão pouco
Como eu sou pouco contigo
Mas você em mim exagera
E és meu mais novo vacilo
Vou me distrair, vou pestanejar, vou engatilhar
Mas não disparar e ai de você
Se não me entender
Não me faças caso, ou vou me perder
Entre chuva má ou mágoa sem cessar
Como um dia frio longe do mar
E ai de você se não me entender
Eu vou quebrar teus olhos
Você vai se entregar

Helio Flanders