9 de outubro de 2009

Pende o tempo


Quanto tempo temos? Não faço ideia, mas posso ouvir os ponteiros acelerando. Eles correm do mesmo jeito que corro pra ti todas as noites. As noites também correm; as semanas também. Já não consigo mais contar as lacunas. Não sei explicar, ou será que apenas fujo de buscar compreender (como o tempo tenta fugir preciso de mim e de ti)? Mas o quê? Será só defesa? Loucura, timidez, medo da compreensão? Qual?

Ah, o tempo que nos consome incansável... símbolo do aprendizado, senhor da sabedoria e também de desencontros, desalentos, lentos. Costumamos acreditar no tempo, confiar a ele o dever e a responsabilidade de consertar nossos erros e anseios. Eu também confio. Mas ele é arbitrário. E também depende de nós. Daquilo que estamos dispostos a entregar aos seus cuidados.

Nosso mundo é feito da mesma terra. A mesma que pisamos, cambaleando, buscando firmeza. Do barro. O teu tempo é igual ao meu porque assim queremos, mesmo que não saibamos o futuro. Mergulhados no vácuo das horas que nos cercam. Pendendo sobre a ponte por onde passam nossos pensamentos, dos mais compreensíveis aos mais complexos e confusos. E as lágrimas que molham nosso chão interior logo se rendem, pendem e secam ao sol. Pendentes, nossos ponteiros estão em sincronia. Sempre vou te acompanhar. Quanto tempo temos?

3 comentários:

  1. "Temos todo o tempo do mundo...", já dizia o poeta calango-brasiliense.
    A questão é que o tempo-físico exíguo se torna tempo-imaginário eterno na temporalidade das nossas mentes e corações.
    Que horas tu tens?
    Bjs

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  2. Amei, querido! Sempre adoro teus comentários. Tu tens razão, por isso essas percepções acerca do tempo são constantes e sofrem transformações constantes. Que doido isso... E, respondendo: busco em mim a hora certa da emoção, sempre. Beijos e saudade!

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  3. o tempo é tão peculiar que pode ser tanto tempo para tão pouca coisa ou um nada para uma infinidade de vontade... bjs moça.

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