16 de maio de 2010

fio de tarde


o céu era lilás naquele fio de tarde
a noite descia lentamente
enquanto as luzes acendiam automáticas
lilás já indo embora
ainda se via cor
vermelho-dor
azul-lágrima
laranja-fogo
baunilha ilha de matizes
havia nada e ninguém na estrada
tentava agarrar-se ao fio lilás
fotografou a tela na memória
tentou fixar como última imagem
um tesouro que jamais teria
quando a noite chegou pesada
trouxe consigo a solidão do mundo
a estrada virou multidão
andando sem rumo
sentou-se sob uma lua também solitária
tentou gritar e não ouviu a própria voz
olhou toda a gente ao redor
nos rostos, as bocas
nos ouvidos, som algum
desejou o amanhecer como nunca
em sua mente, algumas melodias
lembranças de infinita felicidade finda
e essa taça de vinho em suas mãos
já não é taça, viu
e esse vinho na taça que um dia foi
já não é vinho, viu
já não é nada
nunca mais o lilás
aquela esperança que nunca existiu 
de existir algo depois do fim
já não era mais
deitou-se para ver a lua pela última vez
embriagou-se de noite que era
nunca mais a lua
a dor, não mais
não teve chance de perceber o fim 
era nada

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