21 de dezembro de 2010

verde-mar


esse verde me persegue ou eu o persigo. o nome, a luz, os tons, as texturas, a relação com a vida e com a natureza. metáforas da cor dessas frutas não maduras, fatias degustadas do íntimo do caroço.

lenços escapam de minhas mãos clorofilando o oceano. verde água de memórias. ondas de espelho fitam uma lágrima em mim e logo brotam outras e outras. unem-se todas. e logo são ondas e logo sou mar

9 de dezembro de 2010

Cicatriz

há noites em que tudo é faca
cortes precisos são abertos
pelo branco da luz da lâmina
em nossas cabeças
quanto mais conversa fiada
mais afiada a faca

Nos olhamos e rimos sangue

há dias em que tudo é faca
adormecemos nossos corpos
sobre navalhas cansadas
espelhos de toda a sorte
sussurrando vida ou não

quanto mais perto do âmago
mais longe do fio da faca

afundamos em dor devagar
sentimos toda a amargura
futricamos os erros
enxergamos além da conta
além das pontas cortantes
até costurar os retalhos

há momentos em que tudo é faca
então sabemos o quanto ganhamos
satisfeitos com lutas sem perdas
e rimos dos ferimentos expostos

as facas não são as mesmas
e uma leve brisa de cicatriz já nos acolhe

5 de dezembro de 2010

as nuvens riem de nós

alguma coisa aconteceu no mundo hoje
a noite insiste em desobedecer o relógio
horas passando
passeando num céu rosado
nuvens rindo dos debruçados às janelas
assistindo ao fenômeno
dançam as nuvens a esperar pela noite
elas sabem o que aconteceu no mundo hoje

3 de dezembro de 2010

Florescência



nesse aconchego de sol em que me apego me acaloro brota essencial cintila em época de florescência uma flor uma essência