22 de janeiro de 2011

Desfocado


um homem solitário, uma estrada fria. e um coração acompanhado pela lua. ele não olhava para trás. só ouvia o som do motor de um carro que se aproximava.
ela diminuiu a velocidade do automóvel e o acompanhou por alguns instantes. perguntou se precisava de ajuda, para onde ia. ele viu um rosto desfocado. uma demasiada confusão o oprimia. não sabia quem era, não a conhecia. agradeceu a atenção, a carona.
preferia sua caminhada de abandono.
a estrada era negrume iluminada pelos faróis. e pela lua. a luz das estrelas, todas juntinhas, cada uma no seu lugar; também solitárias.
ele seguiu seu rumo, se é que havia um.
quem poderá saber?
percebeu que os faróis haviam sumido. tudo mais escuro, solidão pesando no corpo exausto, nos passos desgastados. ouviu a voz dela outra vez. decidiu olhar para trás por um momento. não podia perder o foco. do quê?
no rosto cansado do andarilho acenderam-se pupilas. permitiu-se prestar atenção naquela voz. será que estava variando? seria um anjo?
o carro mal estacionado na estrada vazia-torta-infinita ali ficou.
.
"se tu não queres me acompanhar, eu te acompanho..."
.
aceitou aquela companhia, ainda que desfocada.
na noite alta, o céu caiu. aproximou-se, aproximou-os. caminharam juntos pelo asfalto refeito, duro pedaço de vida em ilusão.
.
acompanhados de sonhos,
andaram sem fim até o fim,
e ainda mais além,
e ainda mais,
e ainda,
e só

2 comentários:

  1. Simplesmente amei, Carlinha!

    Tua expressão fez sentir-me a impressão da solidão.

    Tão solitária!

    E necessária!

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  2. a solidão é a protagonista aqui.

    Beijo :D

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