11 de maio de 2011

sob fogueiras

um dia o sol brilha mais
não há proteção
as queimaduras precisam de abrigo
não tenho
não sou assim

projeto na luz um jeito de mundo 
desvelado, de veludo
onde no intenso, no imenso
do vazio que não é
da azia que não vem
no interior de tudo que protegemos

dos sonhos acalentados
somos acordados pelos latidos
de tudo que ainda não há
daquilo que nunca fomos
ontem são
amanhã foram 
dias corridos de descanso
dormidos pro fundo

desperto da dor
as queimaduras precisam de abrigo
não tenho

em mim
apenas me deixo 
me queimem de um todo

2 comentários:

  1. Muito bom! Não foi por acaso que foi premiado, parabéns poetiza!

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  2. Carlota! Gostei muito, muito, muito. Aliás, há tempos não lia um poema tão bom. Imagético, forte... Me deu vontade de começar a ler de novo ( lembra que falamos sobre no sábado...). Continua escrevendo, guria, cada vez mais. Não te preocupa com violões e tal e coisa: a palavra te quer, e o teu talento fica aconchegado nela. Beijos e obrigada!

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