18 de outubro de 2011

a primeira manhã


ela acorda ansiada
no peito o coração a saltitar
embriagada pelo sol da primeira manhã
nunca soube esconder nada de si
nunca quis nada além de sentir

sentia o rio no mesmo lugar
sentara muitas luas à sua margem
ouvia sua dança inquieta
sabia-o lá
o curso é que mudara
movendo tudo brutalmente
pra perto e pra longe

e de tudo saberia apenas o fugaz
e do instante quereria apenas o óbvio
e a leveza do vento assim escreveria a seu gosto
que o tempo também solidifica

14 de outubro de 2011

a última noite

ela sonha uma sombra sólida que salpica o céu
fel da última noite em que vagam essas frias memórias
não se vingue nem se engane
a faca em punho não salvará
essa lâmina não lapida nem fere
essa lápide não te pertence
abandone esse sentimento fosco
essa semente improdutiva 
de tudo que não vingou 
e virou estátua num clique
o tempo mói