23 de novembro de 2011

Tigresa

as garras da felina me marcaram o coração
mas as besteiras de menina 
que ela disse "não"
e eu corri pra o violão num lamento
e a manhã nasceu azul...
(Tigresa, Caetano)

é a unha afiada da tigresa que nunca cansaço. é o pote de leite que nunca cheio. sim, bebi toda a inspiração numa só noite. felina que sou, eu, toda arrepiada, toda ouriçada de lamber o próprio pelo. eu não sou mais nem menos. apenas caetaneando versos transcendentes, animalescos versos de cetim sobre viver. há dois meses parei de fumar, hoje fez falta. há tempos rumos novinhos em folha brotaram no meu verde. refugiada no mais solar dos calores. apenas aprendendo o que nunca saberei, o que não lembrarei na próxima expressão. expressarei no momento exato da retina. felina que sou, sem poder ouvir "tigresa". sem poder estancar o novo, o sempre desejado novo artifício de mim mesma, de minha esfera perante o não sei o quê. feirante. sem mais acidez. é apenas a unha afiada que nunca satisfação.


Matinal

amo mais pela manhã
ao despertar em teus braços
no ombro dormente
e dormimos novamente
sem compromisso

amo mais pela manhã
ao acariciar teu corpo
no gelo do inverno
quando vejo o destino tardio
sem desespero

amo mais pela manhã
ao sentir o sol penetrando a janela
no convite para o passeio
quando leio um canto de riso
sem preocupação

não se discute
amo mais pela manhã
bom dia pra sempre

22 de novembro de 2011

Ciranda

botar o ver do verde mar
no desabrochar do ser
a namorada que vem do nada
nadar na direção
do reencontro

alcunha

o peito sangrou
acima da carne
escárnio da solidão

o sangue coagulou
debaixo da unha
apertou o dedo
libertou o medo
alcunha da dor

17 de novembro de 2011

Ecos literários

O melhor da Feira do Livro é que ela nunca termina. Sempre ficam os ecos literários. Este ano participei de dois seminários sobre literatura e, é claro, aproveitei para perambular pelas vielas catando bons livros e boas promoções. Encontrei A Rosa do Povo, de Drummond, por apenas dez reais. Um êxtase poético.


Ainda tive uma bela surpresa ao comprar, por cinco reais, o livro Contos de Oficina, organizado por Luiz Antonio de Assis Brasil. Li e apreciei muitos textos do livro que é resultado da Oficina de Criação Literária da PUC. Parabéns aos escritores!


"Livro sim, livro não, todos os vãos constando na estante. A macela secando no varal. O resto do sabonete melando a saboneteira. O café perdendo o aroma na caixa."  

Do conto Frio, de Camila Doval