23 de novembro de 2011

Tigresa

as garras da felina me marcaram o coração
mas as besteiras de menina 
que ela disse "não"
e eu corri pra o violão num lamento
e a manhã nasceu azul...
(Tigresa, Caetano)

é a unha afiada da tigresa que nunca cansaço. é o pote de leite que nunca cheio. sim, bebi toda a inspiração numa só noite. felina que sou, eu, toda arrepiada, toda ouriçada de lamber o próprio pelo. eu não sou mais nem menos. apenas caetaneando versos transcendentes, animalescos versos de cetim sobre viver. há dois meses parei de fumar, hoje fez falta. há tempos rumos novinhos em folha brotaram no meu verde. refugiada no mais solar dos calores. apenas aprendendo o que nunca saberei, o que não lembrarei na próxima expressão. expressarei no momento exato da retina. felina que sou, sem poder ouvir "tigresa". sem poder estancar o novo, o sempre desejado novo artifício de mim mesma, de minha esfera perante o não sei o quê. feirante. sem mais acidez. é apenas a unha afiada que nunca satisfação.


2 comentários:

  1. então, também agradeço à Camila Doval. excelente texto, fluido, enxuto e, ainda por cima, felino!!!

    beijo.

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  2. Obrigada, Celso, fico feliz que tenha gostado, também gostei muito de escrever :D

    beijo

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