14 de fevereiro de 2013

os mares que sonhei


um dia ainda vou morar na praia, um lugarejo assim bucólico, assim romântico. vou de mão dada com o meu bem viver pertinho da areia, do sol. lá onde o inverno não nos alcance. ainda vou caminhar vagarosa deixando a onda roubar um pouquinho de mim ao tocar meus pés. um dia, ainda que distante, vou passear à noite ao lado dele sentindo a maresia antes de ir para casa banhada de lua. depois dormir ouvindo o barulho lento e gostoso do mar a embalar nosso sono em concha.

a casa será bem rústica, com cheiro de madeira e cheia de cores. neste lar sempre haverá um aroma aconchegante vindo da cozinha. frutos do mar, frutos do amor. na vitrola ou no violão sempre aquelas velhas canções a nos embriagar. pela sala a fumaça do incenso inundará nossos sentidos. na porta do quarto colocarei uma cortina de miçangas verde-água. ela fará um tilintar dengoso que só silenciará quando meus passos já tiverem alcançado a cama.

é. um dia ainda vou morar na praia e abandonar o calendário. vou mergulhar em águas límpidas, lúcidas. vou transbordar em minhas transparências e viver o oceano. bem assim, aguando a alma diariamente. vou suavemente acordar sem pressa, dormir sem pressa, morrer sem pressa.

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