26 de novembro de 2013

3º Canoas Jazz


O 3º Canoas Jazz encerrou no domingo com um show muito especial. Ravi Coltrane foi espetacular. Um dos momentos em que dá orgulho de ser canoense. 


No sábado, eu já tinha curtido a passagem de som nesse clima bem natureza.





Eu, que participei de todos as edições até agora, desejo que venham muitas outras. Obrigada, Canoas. E parabéns aos organizadores desse evento. 

19 de novembro de 2013

Adélia Prado

Há poucos dias li o livro Bagagem, da Adélia Prado. Fiquei encantada com tamanha sensibilidade poética. O poema Leitura é pura emoção.

17 de novembro de 2013

Bagagem


“hoje estou velha como quero ficar
sem nenhuma estridência
dei os desejos todos por memória
e rasa xícara de chá”
Adélia Prado

pelo quarto inacabado. as paredes esperando as cores prometidas. um espelho renovado mostra-me algo. uma oração para todo o pouco em que acredito, mas que sempre me assusta. sinais de que nem tudo deve ser assim tão racional. a lâmpada que queima num momento inadequado. a presença felina inesperada. um sussurro, um miado. dizem que os gatos são seres predispostos a pressentir. um medo que se vai. outros que vingam de lágrimas após alguns versos. de adélia. de pistas. de exaustão. de trégua. de uma leitura. da quase reforma. do meu olhar sobre o que não costumo. da louvação de uma cor. do prado. o não-verde. o que não nasce não pode morrer.

16 de novembro de 2013

Astral Weeks

"desejo, como quem sente fome ou sede,
um caminho de areias margeado de boninas,
onde só cabem a bicicleta e seu dono.
desejo, com uma funda saudade
de homem ficado órfão pequenino,
um regaço e o acalanto, 
a amorosa tenaz de uns dedos
para um forte carinho em minha nuca.
brotam os matinhos depois da chuva,
brotam os desejos do corpo...”
Adélia Prado

agora todo dia é dia de pedalar. depois de muitos anos, não tinha a mínima noção de que ia curtir tanto pegar a bike e sair por aí. por aqui pelo bairro mesmo. entre minhas músicas e meus pensamentos. tudo tão egoisticamente meu.
não importam o cansaço do dia, a correria costumeira, o caos do trânsito, as dores e amores. uma hora pedalando e todo vento é a favor. e venta bastante.
a trilha sonora é fundamental. epitelial. muitos dias são de pedalar ouvindo Los Hermanos, cantando Além do que se vê, Todo carnaval tem seu fim ou, a mais circense de todas, Mais uma canção.
tem dia de pedalar ouvindo o Chico, no embalo de Tem mais samba, Amanhã ninguém sabe, Roda-viva, Samba e Amor ou Ela desatinou.
teve o dia de pedalar ouvindo Van Morrison com seu poético Astral Weeks. astral do bem. pensando no The way young lovers do.
tem dia de pedalar com a playlist no aleatório. aí é que a sorte me acompanha e as canções dão o tom das pedaladas. de Marisa Monte a Velvet Underground, de Vanguart a Bob Dylan, de Billie Holiday a Janis Joplin.
são as canções que me procuram e me encontram e eu mudo a marcha, o ritmo. descobrir novos prazeres diz muito sobre quem sempre fui. fugir da rotina criando outras novas até que deixem de ser rotinas e outras surjam e outros vícios invadam minha alma pelo útero. To be born again.

2 de novembro de 2013

Quase perfeita


A minha amada tem os olhos castanhos
e castanha pele em arrepios de doçura

A minha amada usa uns sapatos coloridos
e seus passos são de alegre rutilância

A minha amada sussurra um risinho mavioso
e balança com leveza as flores graciosas do vestido

A minha amada é perfeição
quase perfeita

Toda perfeição seria
se esquecesse o moço que anda a seu lado
e soubesse de minha existência
de meu amor legítimo

Se seus olhos, seus passos, seu balançar
estivessem em minha direção
e ao dormir em meus braços
acordasse eterna e somente minha