16 de novembro de 2013

Astral Weeks

"desejo, como quem sente fome ou sede,
um caminho de areias margeado de boninas,
onde só cabem a bicicleta e seu dono.
desejo, com uma funda saudade
de homem ficado órfão pequenino,
um regaço e o acalanto, 
a amorosa tenaz de uns dedos
para um forte carinho em minha nuca.
brotam os matinhos depois da chuva,
brotam os desejos do corpo...”
Adélia Prado

agora todo dia é dia de pedalar. depois de muitos anos, não tinha a mínima noção de que ia curtir tanto pegar a bike e sair por aí. por aqui pelo bairro mesmo. entre minhas músicas e meus pensamentos. tudo tão egoisticamente meu.
não importam o cansaço do dia, a correria costumeira, o caos do trânsito, as dores e amores. uma hora pedalando e todo vento é a favor. e venta bastante.
a trilha sonora é fundamental. epitelial. muitos dias são de pedalar ouvindo Los Hermanos, cantando Além do que se vê, Todo carnaval tem seu fim ou, a mais circense de todas, Mais uma canção.
tem dia de pedalar ouvindo o Chico, no embalo de Tem mais samba, Amanhã ninguém sabe, Roda-viva, Samba e Amor ou Ela desatinou.
teve o dia de pedalar ouvindo Van Morrison com seu poético Astral Weeks. astral do bem. pensando no The way young lovers do.
tem dia de pedalar com a playlist no aleatório. aí é que a sorte me acompanha e as canções dão o tom das pedaladas. de Marisa Monte a Velvet Underground, de Vanguart a Bob Dylan, de Billie Holiday a Janis Joplin.
são as canções que me procuram e me encontram e eu mudo a marcha, o ritmo. descobrir novos prazeres diz muito sobre quem sempre fui. fugir da rotina criando outras novas até que deixem de ser rotinas e outras surjam e outros vícios invadam minha alma pelo útero. To be born again.

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