17 de novembro de 2013

Bagagem


“hoje estou velha como quero ficar
sem nenhuma estridência
dei os desejos todos por memória
e rasa xícara de chá”
Adélia Prado

pelo quarto inacabado. as paredes esperando as cores prometidas. um espelho renovado mostra-me algo. uma oração para todo o pouco em que acredito, mas que sempre me assusta. sinais de que nem tudo deve ser assim tão racional. a lâmpada que queima num momento inadequado. a presença felina inesperada. um sussurro, um miado. dizem que os gatos são seres predispostos a pressentir. um medo que se vai. outros que vingam de lágrimas após alguns versos. de adélia. de pistas. de exaustão. de trégua. de uma leitura. da quase reforma. do meu olhar sobre o que não costumo. da louvação de uma cor. do prado. o não-verde. o que não nasce não pode morrer.

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