26 de dezembro de 2013

enquanto houver alegria nos sapatos que ela pisar


são os sapatos dela que me comovem. são aqueles pares diferentes e coloridos que ela usava quando nos conhecemos. são aqueles saltos meio arranhados porque ela caiu naquela noite enquanto chorava. e quando nos encontramos naquela praça e eu achei que ninguém repararia nas minhas meias trocadas. são as carícias nos dedos vermelhos por culpa do sapato um pouco apertado que ela escolheu. são aqueles sapatos de verniz que combinam tanto com o olhar dela quando está a sorrir despreocupada. são apenas sapatos. velhos ou novos. de couro ou veludo. vermelhos ou verdes. são apenas sapatos. mas tão intensos. pisam o chão e percorrem caminhos. nunca passam em vão. voltam e ficam. se perdem e se encontram no recomeço. é verão e os sapatos dela me comovem.

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