27 de maio de 2014

Poeira


essa tua postura covarde te leva a lugar nenhum. esse teu medo de seguir em frente. de desfazer o que está feito. como naquela noite em que os vizinhos puderam ouvir os teus gritos. aquilo foi um ato de coragem. porque até os teus gritos são bonitos. têm um tom suave e dramático e poético. tons obscuros.

e a maneira como seguras a garrafa servindo o vinho aos poucos para que dure mais. esvazia logo essas lágrimas. e o teu choro abafado e a dor de cabeça que certamente te acompanhará quando chegar o sol. ou a chuva.

adiar a dor é como adiar a vida. é como deixá-la estagnada. acomodada de pijamas enquanto a noite transborda estrelas. é como manter um livro fechado por muito tempo apenas imaginando toda a emoção que há para ser lida. mesmo que já se saiba. é sempre um jeito diferente de ler. e adiar a leitura é morrer um pouco todo dia. sufocado nas tuas prateleiras empoeiradas.

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