20 de junho de 2014

o mundo é um moinho

porque o mundo é um moinho
porque faz tempo não encaro
o espelho e vez em quando
é necessidade grande
porque tudo começa
pra terminar
e finda em esperança
de recomeço
porque tudo é ciclo
imensidão a girar
sonhos triturados
ilusões reduzidas
almas torturadas
e não é possível seguir
sem uma boa reflexão

8 de junho de 2014

Fernandão: ídolo eterno


A morte do Fernandão é daqueles golpes brutais que nos fazem refletir profundamente. O que realmente vale a pena nessa vida breve? Que tempo fugaz esse que passamos aqui sem qualquer ideia do que nos aguarda ali na esquina ou mesmo dentro de casa. Num acidente de carro, num assalto, numa bala perdida ou num escorregão bobo.

Passei o fim de semana ouvindo a cobertura do velório desse ídolo querido na Rádio Gaúcha. Inclusive fui ao mercado com o fone de ouvido porque simplesmente não conseguia me desligar. Também queria me despedir. Quando cheguei ao caixa, percebi uma certa confusão ao lado e tirei um dos fones para entender o que estava acontecendo. Havia uma mulher surtada, sendo arrogante, brigando com todo mundo, chamando o gerente porque não tinha ninguém pra empacotar suas compras. Aquilo me deu um nó no estômago, um aperto no coração já machucado. Entristece ver a que ponto chegamos. E para quê? Por que deixamos tantas coisas pequenas tomarem o nosso tempo? Um tempo precioso, incalculável, que nunca volta. Só se esvai.

O capitão nos deixou cedo demais, mas o ser humano que ele foi nunca será esquecido. E a tristeza dessa lacuna tem que servir de aprendizado. Precisamos, mais do que nunca, nessa sociedade doente, aprender a dar valor ao que realmente importa. A gastar o nosso tempo com o que realmente nos faz feliz. E espalhar o bem. Sempre. Porque tudo que fazemos de bom não morre jamais.