31 de agosto de 2014

adeus, agosto


não posso compreender
quem não se alegra com o verão
com o colorido das flores
o perfume do outono
quem não sorri ao ver um cão feliz
de barriga pra cima
ou quem não sabe aproveitar
um domingo preguiçoso de pijama

não posso compreender
quem não aprende com o tempo
com os erros
e nunca quer ir além
quem sente prazer em magoar
e não gosta de si mesmo

prefiro não compreender
o que não é do bem
o que não vem do amor

25 de agosto de 2014

you put a spell on me

das várias tentativas de escrever aquele poema. aqueles versos em que me exponho. em que admito que me entrego enquanto você se esconde se cala e me deixa no vazio. o teu perfume eu já conheço, você disse assim sorrindo uma vez faz muito tempo. pisco. e tudo volta à minha mente. seus olhos de mar avesso me encontram como naquelas madrugadas em que fomos íntimos. pisco. e me impressiona o fato de nunca termos nos beijado de verdade. o teu gosto eu já conheço. mas sei tão pouco. como naquele bar aquela vez em que nos embebedamos e eu perdi a minha bolsa. quando queimamos juntos os nossos cigarros. aquela bolsa verde lembra? foi você quem me ajudou a procurar. e eu gostei do seu jeito de me proteger. pisco. e lembro de quando me falou dos seus livros e me levou até a sua casa e passamos a noite acordados conversando. pisco. eu bem que tento, mas nunca consigo. não posso mais despertar desse feitiço.

24 de agosto de 2014

quando o amor não basta


acabou como muitas coisas na vida acabam. sem paixão sem emoção sem poesia. apenas lembranças ou a falta delas. acabou como se acaba de ler um livro que já estava ficando triste demais. como uma música que muito já se dançou. acabou enquanto ainda havia respeito. enquanto ainda havia amor. enquanto ainda não podia doer demasiado. acabou com um suspiro lento e demorado.