30 de setembro de 2014

Chega de preconceito


Não tenho costume de escrever sobre o cotidiano aqui no blog, mas é que o cotidiano está me chamando para umas reflexões. Realmente é inaceitável que o preconceito continue dando as caras e incomodando a vida de tanta gente que não quer incomodar ninguém, gente que só quer viver em paz. No país dos felicianos, dos fidelix, dos everaldos somos obrigados a conviver diariamente com a ignorância. Somos mesmo? Talvez não. Tenho visto muitas manifestações contrárias à homofobia e isso é bom. Melhor seria se ela não existisse, mas ela está aí e precisamos combatê-la assim como precisamos combater todo tipo de preconceito.
Enquanto cidadã e educadora, uma das minhas missões mais importantes na sala de aula é conscientizar. Comecei a desenvolver, com o sexto ano, um projeto chamado Chega de Preconceito. Uma das atividades foi assistir com os alunos ao filme Hoje eu Quero Voltar Sozinho. Uma linda história de amor que exigiu dos estudantes uma libertação dos preconceitos, uma mente mais aberta, um olhar mais sensível. Resultado: eles simplesmente amaram o filme, com direito a aplausos no final.


Ficaram cheios de questionamentos. Conversamos muito sobre as atitudes preconceituosas que carregamos desde a infância porque aprendemos, muitas vezes, com os nossos pais que aprenderam com os pais deles e que nem nos dávamos conta que era preconceito. O objetivo era fazê-los compreender que alguém precisa quebrar este círculo vicioso. Na escola, esse papel é principalmente do professor. Em casa, passou a ser de cada um deles. Eles deverão ser os responsáveis pelo início de uma mudança em suas próprias famílias toda vez que ouvirem expressões como boiolinha, bichinha, vadia, macaco, retardado e tantas outras.
Eles precisam compreender, por exemplo, que meninas e meninos podem usar rosa. Que meninas e meninos podem brincar de carrinho. Que mulheres e homens podem trabalhar, ajudar nas tarefas domésticas e ainda estudar. Que a homofobia é feia, mata e deve ser considerada crime. Que é o caráter que faz a pessoa. Que educação, amor e respeito são a base de uma sociedade menos patética, mais justa, mais humana, mais feliz. E que viver num mundo melhor depende de todos nós.

22 de setembro de 2014

caminho

a melhor saída
nunca foi entender-me
nem eu chego a tanto

como ponto de partida
tente enlouquecer-me