20 de setembro de 2016

Sexo por correspondência

Penso em escrever para ele uma carta. Nada de mensagens, telefonemas, whatsapp. Uma carta. Escrita à mão. Num papel reciclado. Eu tenho o endereço dele completo desde a última vez em que estive em sua casa. Havia uma conta em cima da pia da cozinha. Fiz uma foto com o celular. A mesma pia onde na noite anterior ele tinha me apoiado e me segurado com força antes de meter o pau por trás sem piedade. Prendia meus braços nas minhas costas e mandava ver. E quanto mais eu dizia que estava doendo com mais força ele metia.

Acaricio o papel antes de começar a escrever. Sinto seu cheiro. Esfrego a caneta nos lábios e a enfio na boca engolindo a tampa. Minhas mãos descem até meus seios e me arrepio em camadas. Deslizo a ponta da caneta sobre as linhas frágeis da folha que fica marcada no verso pela força da minha mão direita. Ao mesmo tempo em que minha mão esquerda encontra o calor úmido no meio das minhas pernas. O som da caneta penetrando o papel se mistura com meus gemidos. Minhas mãos escrevem poesia com safadeza. Não quero parar. Não posso cessar o ritmo até que tudo esteja dito... até que tudo... até que... até acabar.

Carta pronta. Quase pronta. Dobro a folha com a mão direita e a coloco no envelope com a ajuda dos dentes e da língua. Fecho o envelope com a mão esquerda ainda molhada. Amanhã passo cedo nos correios.